Relações periféricas na escola: incumbências e sucumbências do Programa Bolsa Família
DOI:
https://doi.org/10.4013/edu.2014.182.3446Resumo
O trabalho discute as relações periféricas dentro de uma escola pública gaúcha: ocorrências circunstanciais e singulares definidas pela pobreza, de fato, e de interferências efetivas para melhorias nas condições de vida da população. Trata-se de resultados preliminares de uma investigação de inspiração etnográfica realizada em uma escola situada na região metropolitana de Porto Alegre (RS), onde 75% das crianças são oriundas de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. A partir de anotações do diário de campo, observações e entrevistas abertas, buscou-se compreender em que medida o Programa Bolsa Família, que tem como objetivo inibir o trabalho infantil e manter as crianças por mais tempo na escola, está contribuindo para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem naquele lugar. A base teórica que sustentou as análises foi extraída da obra de Zygmunt Bauman sobre as mais diversas condições líquidas contemporâneas. Como será demonstrado, naquele contexto, o Programa Bolsa Família tem sido alvo, ora de críticas por parte da equipe pedagógica da escola, em vista do caráter assistencialista que opera, ora utilizado como motivo para abonar faltas das crianças, sob o argumento de que a escola não pode se indispor com as famílias. Em ambos os casos, as gentes do lugar estão sendo prejudicadas, primeiramente, porque a redistribuição de renda tem sido mais um modo de desqualificar as suas existências discursivamente. Segundo, porque, quando as crianças têm suas faltas ignoradas, o comprometimento da família com o processo de ensino está, automaticamente, sendo dispensado. Além disso, distorcem-se os resultados das avaliações de larga escala, como a “Prova Brasil”, que cruza informações socioeconômicas e pedagógicas, pois as notas baixas passam a refletir a ineficácia de um programa que nem foi introduzido de fato no contexto escolar.
Palavras-chave: Estudos Culturais, relações periféricas, Ensino Fundamental, Programa Bolsa Família, “Prova Brasil”.
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