Exemplum vitae: arqueologia de Francisco de Assis
DOI:
https://doi.org/10.4013/rechtd.2026.181.05Abstract
Este artigo examina criticamente a apropriação que Giorgio Agamben faz, no contexto do projeto Homo sacer, do franciscanismo enquanto uma das prefigurações históricas da noção de forma-de-vida. Sustenta-se que, embora conceitualmente potente, essa leitura permanece incompleta por não reinscrever no centro da análise a figura histórica de Francisco de Assis e o caráter existencial de sua experiência. Na primeira parte reconstrói-se o papel do exemplo na tradição monástica medieval para se analisar, na segunda parte, a centralidade do exemplo na vida e nas primeiras biografias de Francisco, tendo como pano de fundo a categoria da menoridade. Na terceira parte examina-se o processo de neutralização do franciscanismo radical, concentrando-se na Legenda maior de Boaventura de Bagnoregio, entendida enquanto operação teológico-política que transforma o exemplo em exceção. Por fim, na quarta parte se discute a concepção de Francisco sobre a obediência, entendida não como submissão jurídica, tratando-se antes de uma prática comunitária articulada pela desobediência e pela menoridade. O artigo conclui que é na tensão entre exemplo e exceção que reside a atualidade crítica do experimento franciscano para o pensamento político contemporâneo.
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