Racionalidade e erros cognitivos
os limites da concepção individualista do conhecimento no enfrentamento dos poluentes epistêmicos
DOI:
https://doi.org/10.4013/fsu.2026.272.06Palabras clave:
crenças; poluentes epistêmicos; epistemologia das virtudes; viesesResumen
Este artigo tem como objetivo mostrar que a Epistemologia das Virtudes apresenta limites para enfrentar o problema dos poluentes epistêmicos. O epistemólogo das virtudes entende que se os indivíduos possuírem as virtudes intelectuais adequadas serão capazes de evitar e rejeitar informações duvidosas. Argumento que esse otimismo do epistemólogo das virtudes não se confirma, porque os poluentes epistêmicos tendem a ser reproduzidos com a mesma roupagem das informações legítimas. Isso é um problema porque impacta na capacidade das pessoas comuns de separarem as fontes confiáveis das não confiáveis. O cenário torna-se mais crítico quando os vieses entram em ação. Vieses são inclinações, preconceitos ou predisposições que afetam o modo como pensamos, julgamos e tomamos decisões. Esses vieses tendem a interferir no processo de formação e endosso de crenças de modo inconsciente, levando muitas vezes as pessoas a acreditarem em informações enganosas simplesmente porque tendem a confirmar suas próprias crenças e visões de mundo. Isso aponta para o fato de que grande parte das crenças que adotamos e endossamos não são resultadas de atos de virtudes intelectuais, mas sim de processos cognitivos enviesados. Para superar o problema dos poluentes epistêmicos, defendo que é necessário criar um ambiente no qual as pessoas voltem a confiar nas instituições que produzem conhecimento e nos especialistas.
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