A Geologia e o processo histórico (ou, sobre como se constrói um passado a marteladas)
Resumo
A análise da literatura referente ao período Permiano revela uma profusão de teorias contraditórias, especialmente quanto a episódios de extinção, paleogeografia e paleoclimatologia. Isto decorre dos diferentes paradigmas (em sua conotação reducionista e determinista) utilizados por diferentes grupos de pesquisadores, e também das decisões individuais arbitrárias durante o desenvolvimento da pesquisa. A Geologia, enquanto ciência histórica, incorpora um elevado grau de subjetividade, uma vez que não é possível acesso direto ao objeto de estudo. As condições climáticas e geográficas e suas implicações no desenvolvimento biológico de um determinado intervalo de tempo podem ser apenas presumidas, ainda assim considerando premissas uniformitaristas de aplicabilidade incerta. Deste modo, um grande número de teorias compete na tentativa de construir um passado coerente para a Terra. Porém, o conjunto das teorias torna qualquer tentativa de análise uma tarefa extraordinariamente complexa. Por redução, teorias que não se adaptam aos paradigmas de cada grupo de pesquisa são desprezadas, fazendo com que cada abordagem seja internamente coerente, ainda que muitas vezes incompatível com as demais. Apesar disto, conclui-se que o grande número de teorias é algo positivo para a ciência geológica, pois abre possibilidades ilimitadas de análise. Neste sentido, inclusive, questiona-se a emergência do paradigma como algo universalmente benéfico, pois ocasiona o abandono imediato das teorias rivais derrotadas. Estas dificuldades conceituais fazem com que, antes de uma descoberta de laboriosos cientistas, a história geológica seja apenas uma construção racional do cérebro humano e, como tal, sujeita a toda ordem de interpretações e reinterpretações.
Palavras-chave: Permiano, extinções, Reducionismo, Determinismo, Popper, Kuhn, Bachelard.
Downloads
Edição
Seção
Licença
Concedo a revista Gæa – Journal of Geoscience o direito de primeira publicação da versão revisada do meu artigo, licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista).
Afirmo ainda que meu artigo não está sendo submetido a outra publicação e não foi publicado na íntegra em outro periódico e assumo total responsabilidade por sua originalidade, podendo incidir sobre mim eventuais encargos decorrentes de reivindicação, por parte de terceiros, em relação à autoria do mesmo.
Também aceito submeter o trabalho às normas de publicação da revista Gæa – Journal of Geoscience acima explicitadas.