Fotojornalismo: da estetização à transformação do leitor em sujeito

Ana Paula da Rosa

Resumo


Todo o esforço do jornalismo é uma representação que visa fazer com que o discurso pareça verdadeiro. Nesse sentido, a fotografia tem sido cada vez mais utilizada, já que para o senso comum ela possui a capacidade (ilusória) de retratar o real. Assim, nas últimas décadas, o que se viu foi o surgimento de um processo de estetização do jornalismo impresso com o uso constante de fotografias e gráficos, muito por influência da televisão e da internet, que têm a instantaneidade da informação como aliados. Partindo dessa constatação, este trabalho visa, por meio da análise semiótica de uma fotografia estampada na capa do jornal Zero Hora de 04 de abril de 2005, identificar o papel da fotografia jornalística, partindo da hipótese de que a imagem não é apenas uma ilustração, mas sim um texto completo, com sentido próprio. Isso ficou claro na cobertura da morte do Papa João Paulo II, em que as fotografias complementaram o discurso jornalístico, atribuindo mais credibilidade às informações e, acima de tudo, permitindo aos leitores uma co-presença por meio das imagens e dos textos sincréticos. Mais do que isso, a soma da fotografia com a escolha do texto verbal no jornalismo leva a uma presença na distância, permite uma troca de lugares entre emissor e destinatário, como se eles se fundissem na página do jornal. Assim, o sincretismo (uso de mais de uma linguagem) torna-se, cada vez mais, a razão de ser do jornal impresso.





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