Uma Dicksoniaceae fértil no Eoceno da Ilha King George, Península Antártica

Michele Bertoli Cunha, Tânia L. Dutra, Nelsa Cardoso

Resumo


Uma pínula fértil é identificada para a Ilha King George, arquipélago das Shetland do Sul, norte da Península Antártica. Preservada por sua face adaxial, mostra segmentos falcados a triangulares, contendo um único soro ovalado, visível na porção superior e marginal, preservado de modo tridimensional. Este conjunto de caracteres permitiu associá-la com as pínulas terminais de Dicksonia L. Hérit (Dicksoniaceae). Trata-se da primeira ocorrência de uma forma fértil do gênero para a ilha e para o Cenozóico da Península Antártica, onde tipos relacionados eram conhecidos apenas por frondes estéreis e esporos dispersos. Embora freqüentes durante o Cretáceo em outras ilhas ocidentais da Península, para o Cenozóico são exclusivos da Ilha King George. A amostra provém de um dos raros níveis da ilha em que o retrabalhamento dos grãos evidencia a presença de um contexto lacustre, sujeito à chegada cíclica de pequenos rios efêmeros, representativos de intercalações vulcanoclásticas restritas, em uma espessa sucessão de lavas basálticas e andesíticas atribuídas à Formação Viéville Glacier, Grupo Point Hennequin, de idade Eoceno. A tafoflora associada compõe-se de outros tipos de fetos, angiospermas variadas dominadas por Nothofagus e coníferas podocarpáceas e araucariáceas. Hoje as Dicksoniaceae são fetos arborescentes que habitam as florestas úmidas das elevações criadas após a separação do Gondwana.

Palavras-chave: Dicksoniaceae, Ilha King George, Península Antártica, Eoceno Médio.

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