Giorgio Agamben em Canudos

Pedro Andrade Corrêa de Brito

Resumo


Como Giorgio Agamben poderia estar presente em um conflito no Sertão da Bahia no final do século XIX? Como Antônio Conselheiro pôde anteceder com seus escritos, edificações, práticas e prédicas, o pensamento radical deste autor romano em mais de cem anos? O presente artigo busca tratar da dimensão eminentemente política do bando de Antônio Conselheiro a partir de suas obras e de seus próprios predicados devocionais, relacionando-os a filosofia agambeniana a fim de exibir sua contemporaneidade enquanto rendimento profético. Para tanto, empreenderemos movimentos parabólicos que buscam não só indiscernir a teologia política sertaneja daquela italiana mas sobretudo desvelar o quão moderno fora Canudos para que possamos refletir sobre o quanto arcaico é o nosso presente.

Palavras-chave


Giorgio Agamben, Canudos, Messianismo

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