A humanidade até ontem: poder e estado de natureza em Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau e Pierre Clastres

Marcio Henrique Bertazi

Resumo


Este artigo objetiva apresentar parte do debate antropológico e filosófico do estado de natureza a partir de três autores que se atentaram à temática. Discute-se o estado de natureza em Thomas Hobbes e sua visão de que não há lei sem um poder comum; a inexistência do direito natural em Jean-Jacques Rousseau, cujo conceito não vem da natureza, mas das convenções enquanto atitudes voluntárias; e a possibilidade do poder coercitivo como um caso particular em Pierre Clastres, para quem a contingência da palavra é o oposto da violência, que é a essência do poder. Aponta-se que enquanto em Hobbes a instituição do Estado caracteriza a vida política e em Rousseau o estado de natureza mantém os indivíduos isolados, em Clastres o Estado não é um destino intrínseco, mas demarcado por atitudes racionais que pretendem manter o poder centralizado afastado a todo o momento.

Palavras-chave


Estado de Natureza; Thomas Hobbes; Jean-Jacques Rousseau; Pierre Clastres.

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