As origens, a formação e os atravessamentos do conceito língua

Miguel Afonso Linhares, Claudiana Nogueira de Alencar

Resumo


Desde o capítulo terceiro da obra “póstuma” de Saussure até os trabalhos recentes mais “heterodoxos”, tem sido uma preocupação constante na Linguística definir o que é a língua, tanto que as diferentes correntes dos Estudos da Linguagem distinguem-se, fundamentalmente, por estarem assentadas sobre diferentes perspectivas do que seja a língua. Contudo, não se percebe, nem de longe, o mesmo interesse por parte dos linguistas em definir o que é uma língua, aquilo a que se pode chamar, laconicamente, um “advérbio substantivado”, ou seja, a língua na forma de [falar] português, espanhol, inglês, etc. Este trabalho trata, precisamente, dessa desatenção. O que se depreende dele, à luz do diálogo teórico-metodológico de uma Linguística crítica com as Ciências Sociais, é uma patente fragilidade do conceito língua, o que comporta uma consequência verdadeiramente grave: ergueu-se toda uma ciência, institucionalizada há décadas em faculdades por todo o mundo, com um volume de produções nada desprezível, que aporta teorias e métodos cridos universalmente válidos e aplicáveis, mas que parte de um objeto inventado na e pela modernidade, universalizado à força, manejado ao sabor dos interesses do Estado-nação.

Palavras-chave: língua, modernidade, Estado-nação.


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DOI: https://doi.org/10.4013/cld.2015.132.09



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ISSN 2177-6202