O ensino da língua materna: uma perspectiva sociolinguística

Gregory R. Guy, Ana M. S. Zilles

Resumo


A educação e a pedagogia adequadas devem se fundar numa apreciação acurada tanto da realidade psicológica da aquisição da linguagem, quanto da realidade social da comunidade em que se situa. Tomando-se práticas pedagógicas observadas nos Estados Unidos e no Brasil, discute-se o fato de que o ensino da língua materna nem sempre leva em conta este princípio, seja por desconsiderar o processo de aquisição da linguagem pela criança, seja por ignorar a variação lingüística pela imposição da língua padrão. Não menos importante, desconsidera-se que o que se chama de padrão é essencialmente a variedade da língua usada pelas classes sociais de alto prestígio e poder social. Embora se apresentem raciocínios históricos e pseudo-lógicos para defender ou justificar o padrão, estes se revelam falsos quando vistos cientificamente. Portanto, as tentativas de ‘ensinar’ as características do padrão costumam fracassar, particularmente quando são baseadas no falso pressuposto da superioridade desta variedade e num entendimento inadequado das diferenças lingüísticas. Tais tentativas resultam em estigmatização e humilhação das crianças que não falam o padrão em casa, e em sua alienação da escola; nisso a escola é cúmplice na manutenção da subordinação social de pessoas de classes humildes. A alternativa proposta é a de levar os alunos a uma apreciação da diversidade lingüística da sociedade e ao reconhecimento do padrão como uma variedade entre outras, apropriada a certas situações e propósitos sociais.

Palavras-chave: língua materna, língua padrão, aquisição da linguagem.

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DOI: https://doi.org/10.4013/5985



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ISSN 2177-6202