A formulação em consultas medicas: para além da compreensão mútua entre os interagentes

Ana Cristina Ostermann, Caroline Rodrigues da Silva

Resumo


Neste artigo, apresenta-se o fenômeno interacional da formulação, inicialmente descrito por Garfinkel e Sacks (1970) e posteriormente elaborado por Heritage e Watson (1979, 1980), que pode ser entendido como uma pratica utilizada por interagentes para demonstrar explicitamente sua compreensão de partes de uma conversa ou de ações realizadas nessa conversa. Discutem-se as características principais da formulação e a importância do fenômeno no trabalho organizacional da conversa. Em seguida, apresentam-se um estudo comparativo realizado por Drew (2003), que identifica as diferentes tarefas interacionais realizadas por formulações em contextos institucionais diversos. Finalmente, são analisadas interações gravadas e transcritas provenientes de consultas ginecológicas e obstétricas em um posto do Sistema Único de Saúde que se apresenta como tendo aderido à Política de Humanização do SUS (HumanizaSUS). Por meio da análise, especula-se sobre a possível relação entre a política de humanização (nível macro) e a pratica interacional de formular (nível micro). Ou seja, propõe-se a possibilidade de se pensar os objetivos da política de humanização do SUS como traduzíveis em práticas interacionais específicas – nesse caso, a de formular.

Palavras-chave: formulações, fala, interação, saúde, humanização, Política de Humanização do SUS (HumanizaSUS).

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DOI: https://doi.org/10.4013/4862



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ISSN 2177-6202